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Evolução dos Lagares Tradicionais

Já desde a antiguidade, o homem começou a predispor toda a sua engenhosidade no cultivo da oliveira, na colheita da azeitona e na extração do azeite.

Ao longo dos anos tem existido um investimento nos lagares de azeite, em que são modificados os equipamentos de receção de azeitona, extração e armazenamento de azeite, com uma introdução, cada vez mais acentuada, da mecanização.

Para a transformação de azeitona em azeite na atualidade existem três tipos de lagares diferentes, o lagar de prensas, o método mais antigo a operar nos dias de hoje, o sistema  de  extração  contínuo  de  três  fases e o sistema de extração contínuo de duas fases, sendo estes dois últimos os tipos de lagar mais mecanizados.

Nos lagares tradicionais de prensas, com a sua existência cada vez mais escassa, também têm existido algumas melhorias a nível de processos de transformação, que vão desde a energia utilizada, processos de moagem, enseiramento e prensagem.

Processos de transformação no sistema tradicional de prensas

No método tradicional de extração de azeite, o sistema é baseado na utilização de prensas, com extração 100% a frio.

Este sistema é o método mais antigo a operar nos dias de hoje, no qual, existem moinhos de pedra ou galgas que giram e esmagam as azeitonas ou moinho de martelos originando desta forma uma pasta de azeitona, que é posteriormente colocada em capachos/”seiras”.

Os capachos/ “seiras”, material utilizado para espalhar a pasta de azeitona, são dispostos em camadas, sendo sujeitos a uma pressão hidráulica das prensas, onde a água vegetal e azeite flui. Este líquido, designado por mosto oleoso é separado através da decantação ou por centrifugação, onde a partir daí, surge o azeite virgem.

Finalmente, o bagaço é removido por processos mecânicos ou manuais e nos capachos coloca-se uma nova camada de massa de azeitona para fazer uma nova prensagem.

Atualmente, os métodos tradicionais deram lugar a processos modernos de extração, recorrendo à variação de pressão e de temperatura. Com isso, o método tradicional de prensagem a frio é já quase inexistente.

Evolução do Lagar Tradicional de Prensas

Desde os sistemas de extração mais primitivos, até aos sistemas mais atuais, tem existido técnicas diferentes para obter com uma melhor eficiência e rendimento o azeite. Estes sistemas evoluíram ao longo dos tempos, tanto nos materiais usados para fazer os utensílios necessários, como a pedra, madeira, ferro, quanto na força que é aplicada.

  • Processo de moagem e prensagem

Antes da utilização da roda, as azeitonas eram esmagadas e espalhadas em cima de uma pedra côncava com auxílio de uma pedra amarrada a um cabo de madeira. O azeite que escorria daquela superfície, um pouco inclinada era posteriormente retido através de um canal com reservatório para essa função.

O sistema de prensagem mais primitivo consistia em colocar a massa triturada em sacos, torcendo-os com força usando alavancas longas para extrair o azeite das azeitonas. Após estes processos, evoluiu-se para o que hoje poderíamos chamar de indústria do azeite, com a utilização da roda de pedra ou mó, uma invenção para esmagar as azeitonas, que obtém uma massa que permite extrair mais facilmente o azeite da azeitona.

Contudo era necessária uma pressão mais forte para extrair o óleo da massa. Foi aí que foi  inventada a prensa que consistiu em colocar a massa entre uma armação feita de toras, cuja pressão seria forte o suficiente para superar os antigos procedimentos. O azeite resultante é retido na base do pé deste dispositivo.

O próximo passo de evolução para poder espremer, mais eficientemente, a massa de azeitonas moídas, foi a criação da prensa de alavanca ou viga, como era chamado pela forma de aplicar a força que poderia ser exercida com uma alavanca. No início, era apenas um longo tronco de árvore com uma pedra numa extremidade sustentada por cordas, que torcendo-as por meio de alavancas, levantavam a pedra obtendo uma pressão.

O sistema de vigas foi rapidamente substituído como resultado dos avanços mecânicos e das transformações do ferro e do aço, em que surgiram as primeiras prensas completamente metálicas.

Evolução do Processo de Prensagem

Fonte: Retirado de https://idus.us.es/bitstream/handle/11441/99592/TFG-2744-MU%C3%91OZ%20ESTEO.pdf?sequence=1&isAllowed=y

 

 

  • Energia utilizada

Antes era utilizada mão humana, animais, água ou vento para os processos de extração do azeite. Quando a revolução tecnológica deu um passo gigantesco em toda a indústria metalúrgica, deu-se a generalização da força elétrica. Apesar dessas inovações, a força utilizada para espremer a carga e esgotá-la ao máximo, era ainda insuficiente. Então foi aí que começou a ser aplicada a força hidráulica para melhorar os rendimentos de prensagem.

As prensas hidráulicas coexistiram com métodos através de rodas e com os métodos mais atuais, como dos martelos mecânicos. Este tipo de prensa possibilitou obter uma maior pressão para extrair azeite, extraindo, desta forma, mais azeite. Neste tipo de sistema têm também vindo a existir novas invenções e produzidas modificações em relação à altura e volume das prensas, para cada vez mais obter uma maior eficiência na extração do azeite.

 

  • Seiras versus Capachos

Quanto maior era a pressão exercida pela prensa, mais difícil era manter a carga das seiras (material utilizado na altura para espalhar a pasta de azeitona) em forma reta em cima da prensa, pois a mesma massa fazia com que as mesmas escorregassem, e por esse motivo foram forçados a colocar uma agulha ou barra vertical presa ao centro da prensa hidráulica para apoiar o pé dos capachos. Os capachos foram também uma evolução das seiras, em que correspondem apenas a uma forma de disco com um orifício no meio, fabricados em cairo, para que desta forma sejam perfurados pela agulha da prensa e garantir um maior equilíbrio entre a pilha de capachos.

Evolução do Processo de Enseiramento

Fonte: Retirado de https://museudamemoriarural.pt/wp-content/uploads/2019/05/Mem%C3%B3rias-de-um-lagar-de-azeite.pdf

 

  • Termomisturadores

Outra evolução que ocorreu nos lagares tradicionais, foi a invenção dos termomisturadores. Essas máquinas, como o seu nome indica, são usadas ​​para bater a massa triturada da azeitona e, ao mesmo tempo, proporcionar uma temperatura ótima, uma vez que se torna muito mais fácil obter ainda mais azeite na prensagem.

Evolução dos Lagares Tradicionais

Reflexão

Como se pode verificar ao longo do artigo, desde os primórdios da extração de azeite até aos sistemas de extração mais atuais, tem surgido novas técnicas com o objetivo de obter maior eficiência e rendimento nos processos.

Tal como em outras diversas áreas de atividade a evolução industrial e tecnológica desafia as empresas a acompanhar essas evoluções para se manterem competitivas e garantir processos mais eficientes na produção.

Exemplo disso, é o Lagar Sr. Branco, em que conta com um lagar de sistema tradicional de prensas, mas que tem introduzido melhorias ao nível dos processos de transformação desde a moagem, enseiramento, prensagem e centrifugação.

Referências

 

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Azeite Virgem Extra 5 L

26.00
Os nossos azeites Seiras de origem de olivais tradicionais, Azeites Virgens / Virgens Extra Convencionais, tem como um sistema de produção agrícola baseado em boas práticas agrícolas, com gestão racional dos recursos naturais e privilegiando a utilização dos mecanismos de regulação natural em substituição de fatores de produção, contribuindo, deste modo, para uma agricultura sustentável. Compra mínima de 2 unidades
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Azeite Virgem 5 L

21.00
Os nossos azeites de olival tradicional, Azeites Virgens / Virgens Extra Convencionais, tem como um sistema de produção agrícola baseado em boas práticas agrícolas, com gestão racional dos recursos naturais e privilegiando a utilização dos mecanismos de regulação natural em substituição de fatores de produção, contribuindo, deste modo, para uma agricultura sustentável. Compra mínima de 2 unidades
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Azeite Virgem Extra Médio 500 ML

8.00
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